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13/07 - IBITINGA-SP
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João Pedro Pinheiro

João Pedro Pinheiro

João Pedro Pinheiro, 18, é aluno do curso de Jornalismo na Unesp Bauru e escreve crônicas em seu blog.

O que é música para você?


Saia às ruas fazendo essa pergunta e anote quantas vezes a resposta “ah, é algo que eu gosto” será dita. Bem, mas por que motivo viria eu sugerir que você fizesse isso? Algo que lhe pode ter passado despercebido foi o último sábado, dia 1º de outubro. Este é o Dia Internacional desta inigualável, incomparável, incomensurável entidade à qual foi dada o singelo nome de música.

Não sei quando a música entrou de vez em minha vida. Meus pais contam que quando ainda era bem pequeno, não lembro exatamente quando, a única forma de tirar o choro daquela criança que não queria por nada dormir era rodar o CD dos Titãs. Assim amansava-se a fera; o bom som prendia a atenção; por fim, capotava. Não tenho provas quanto a isso, mas tenho convicção de que é real.

Lembro-me como se fosse hoje daqueles tecladinhos vermelhos que a criança feliz toca imaginando-se em um concerto no Teatro Municipal de São Paulo. Tive alguns desses na minha infância (os teclados e os sonhos). Minha diversão: tentar repetir literalmente na mão as músicas pré-gravadas no brinquedo. Passava horas teclando como se não houvesse amanhã. Imagine a reação da criança quando viu pela primeira vez um teclado de verdade, então. Da reação não lembro, mas de como aconteceu sim.

Não me recordo de detalhes, era pequeno. Sei que meu tio Celso começou a me ensinar no instrumento de fato. Partimos daquelas músicas que hoje são tão simples, mas que na época eram dignas de um concerto de família. As clássicas de todo aluno de teclado: Dó Ré Mi Fá, Parabéns a Você, Ode a Alegria, Asa Branca. O tempo passava, a paixão por música só aumentava. Meu pai me colocou na Assari, a associação de artes de Ibitinga. Queria fazer aulas de teclado ou piano. Se não me engano, não podia por conta da idade. Tinha 4 ou 5; só era permitido a partir dos 7.

Sem problema, comecei na musicalização infantil. Alguns tambores, chocalhos, apitos e afins depois, pude finalmente ingressar no curso que tanto queria. Primeira apostila, primeira música. Au Clair de la Luna. Primeira professora, Vilma. Saí dos concertos de família, passei aos concertos da Assari. Me volta à mente algo do qual me questionava ainda no começo das aulas: por quê meus colegas conseguiram balançar o teclado enquanto tocavam e eu não? Ah, pensamentos de criança, saudades das divagações que fazia quando pequeno.

Pouco tempo depois, começava a conhecer aquele que viria a ser meu preferido: o piano. Minhas primeiras aulas foram com a Solange, que foi minha professora dos 9 até quando saí das aulas na Assari, acho que aos 14. Ela também ficou como professora de teclado um pouco mais tarde. O gosto pelo piano cada vez mais corria pelas veias. Vinham as primeiras peças clássicas (confesso, são boas de ouvir, principalmente quando se busca inspiração para escrever crônicas, #ficadica, mas nunca gostei de toca-las). Na mesma época, experimentava outros ramos. Fui do coral infantil, participei de um grupo de flauta doce, continuei preferindo o piano.

Aos 11, aquele, há pouco esquecido, retorna à minha vida. Recebo o convite do prof. Tuca e me torno tecladista da banda de rock da Assari, que futuramente se chamaria Fantoch. Mas o piano não se deixou esquecer. Conheci o Laurinho, e ele me apresentou mais uma paixão, o piano popular. Jazz, blues, samba, bossa nova. As apresentações misturavam os dois mundos: o pianista clássico-popular e o tecladista roqueiro que surgia.

Algum tempo depois, acho que aos 13 ou 14, surgia uma dupla com minha amiga de musicalização, coral, grupo de flauta. João Pedro e Agatha. Eu, piano; ela flauta transversal. Tocávamos de tudo. Desde composições clássicas até as belíssimas letras de Renato Russo. Duramos alguns anos. As complicações de colegial/faculdade fizeram com que passássemos há dois anos.

Contudo, não abandonei a ideia. Hoje, sigo com as músicas instrumentais. Além, é claro, de seguir como tecladista da Fantoch e de me arriscar no instrumento e no vocal na mais recente Banda Ekko. E após esse (gigantesco) histórico, você me pergunta: o que é música para você, João? Paro. Penso. Olho para meu passado (são poucos anos, é fácil de fazer isso). Bem… Música é recordar do CD dos Titãs; é recordar dos tecladinhos vermelhos; é recordar do que meu tio me ensinou; é recordar dos anos de aulas na Assari; é recordar das várias apresentações que fiz; é guardar na memória os grandes amigos que conquistei e carrego para o resto da vida.

 

Apenas algumas palavras de uma pessoa pensante... João Pedro Pinheiro, 18, é aluno do curso de Jornalismo na Unesp Bauru e escreve crônicas em seu blog http://joao.curiosocia.com.

Câmara Municipal de Ibitinga

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