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07/08 - IBITINGA-SP
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Jótha Marthyns

Jótha Marthyns


Brasil é cafona e cultua o brega


"Um crítico apenas pode ter ‘influência’ sobre seus leitores na medida em que eles lhe concedem esse poder porque estão estruturalmente de acordo com ele em sua visão do mundo social, em seus gostos e em todo o seu habitus”.


Hoje  funk,  hip hop,  sofrência, letras e autores disputam a maior falta de imaginação e criatividade. Gravadoras lançam “astros bregas” da noite para o dia expondo-os em clipes/propagandas  de televisão. Nesse contexto o Brasil vem sofrendo transformações sociais bastante intensas dentro de seu povo. 

Entender  é preciso que as sociedades estão  em constante mudança e assumem novos formatos por influencia da globalização, conectividade de redes sociais. No Brasil não é diferente.  A necessidade de transformação depende de determinado tempo e espaço. É necessário esgotar o paradigma anterior. É a fluidez em constante caminhos. 

1916. Pelo Telefone é considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil,  composição de Ernesto dos Santos, mais conhecido como Donga, e do jornalista Mauro de Almeida.

1929.  Surge a primeira música sertaneja como se conhece hoje, em letras de temas de  "causos" e fragmentos de cantos tradicionais rurais do interior paulista, sul e triângulo mineiro, sudeste goiano e matogrossense. 

História. A primeira dupla sertaneja a gravar  a moda de viola,  "Jorginho do Sertão", composição de Cornélio Pires. Gravada por Mariano e Caçula, pai e tio respectivamente do sanfoneiro Caçulinha. 

Nas décadas 1940/1950, rádios brasileiras  tocavam sambas-canções, boleros tangos  e baladas  com  Influencias diretas  dos EUA, México, Espanha, Itália, França, Inglaterra, Argentina. 

Retrocedo ao ano de 1960 em Santos/SP. Atrevo-me em olhar critico mais aprofundado,  comentar a partir dessa  fase do radio nacional, pois lá vocacionava-me dentro de rádios começando em 1967  pela Rádio Cacique AM.  Em 1969 na Radio Atlântica AM, idealizei, produzia e apresentava “Atrações 580” e a “Mini Parada Musical”,  época que o repertório "brega" batia recordes de preferencia, vendas e  execução. 
1967. Surge o Tropicalismo derivativo  da MPB, movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira. Sincrético e inovador, aberto e incorporador, misturou rock mais bossa nova, mais samba, mais rumba, mais bolero, mais baião. Sua atuação quebrou as rígidas barreiras que permaneciam no País. Pop x folclore. Alta cultura x cultura de massas. Tradição x vanguarda.

Se bem que a partir de 1978 a musica sertaneja  foi esquartejada saindo da raiz com a viola para a guitarras e bateria, alcançando  a  atual sofrência universitária (a maior das breguices aqui surgidas)  com letras e músicas  em disputa da maior falta de imaginação.

É minha opinião e dela não abro mãos.  Nunca na história deste Páis, valorizou-se tantas ‘burrices’ musicais,  despejadas  nas   massas  através de redes sociais,  rádios e televisão.   

Coincidências de culturas? Tudo segue igual. Correntes em metáforas sobre boêmias, traição, a dor de cotovelo, o desprezo,  desejos de conteúdos eróticos, encontros, separações, abandonos, saudades, solidão e sobre experiências de vida de pessoas comuns. Tudo era e ainda é oferecido à venda adequando-se a estes modernos tempos de consumismos.    

O surgimento da bossa nova no final da década de 50 modificou estilos de qualidade musical, em oposição aos  românticos. Esse surpreendente modelo exibia a depuração sonora eliminando particularmente o excesso passional que tomara conta da música popular nos anos 1950,  como corrente igual  pelas canções da  América do Sul.  

O gesto de contenção desse novo movimento dava à música popular brasileira uma roupagem moderna que influenciaria fortemente a MPB  a partir da década de 1960.

Em cima, junto, lado a lado, ofuscando a musica brasileira surge o movimento Yé-yé-yé internacional  um estilo de música pop  lírica e juvenil surgido na França. 

Esse estilo procura brechas e encaixa-se na expressão  da Jovem Guarda.  Refere-se a um programa televisivo exibido  nas tardes de domingos pela Rede  Record entre os anos de 1965 e 1968, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. 

Marcelo Fróes no livro Jovem Guarda em Ritmo de Aventura (FRÓES, 2000) defende a idéia de que a Jovem Guarda foi mais do que um simples programa de televisão: foi um “momento” musical brasileiro, uma de nossas mais férteis vertentes musicais nos anos 1960. Ali o brega estava presente. 

Anos 70.   O repertório "brega" batia recordes de execução nas estações de rádio AM, e consolidava-se como segmento de música nacional que mais vendia discos no país,  época em que a indústria fonográfica expandia-se pelo Brasil.

A partir da década de 1980, seriam tachadas como "brega", outra categoria para letras e músicas românticas de forte apelo sentimental.

O Pagode  linguagem musical brasileira desde, pelo menos, o século XIX,  tem suas origens no Rio de Janeiro entre o final da década de 1970 e início da década de 1980, a partir da tradição das rodas de samba feitas nos "fundos de quintal". 

Na raia final. Por conta do espaço  e da profundidade desta minha pretensão escrita, ficam descartados (não omissão proposital) nomes  de autores e interpretes consagrados ou não,  tal qual inúmeros outros temas que  aqui não são exauridos. 

Para maior ajustar compreensão do tema sugiro a leitura do livro: ARAÚJO, P. C. Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar. Rio de Janeiro. Record, 2002.

Final. Nestes tenebrosos e incertos dias ‘precisamos assumir nossa (in)cultura’, também nas letras de  musicas,  responsável por criar uma cultura alienada, conformista e sem espaço para a resistência das massas aos seus produtos. Dentro do Planeta Terra, conectado, é hora de sair de coadjuvantes e atuarmos de   protagonistas. (argh...)

 

*Jótha Marthyns, 75 -  Jornalista,  editor MTB n.º 232/ SP, do Jornal A Tribuna, em Monte Alto/SP. e do Jornal A Tribuna Web Noticias. Radialista. Influenciador digital. Idealizador, produtor,  apresentador do JORNAL DA TARDE no Facebook. Colunista/Articulista no Portal Ternura FM / Ibitinga-SP. Publicitário. Palestrante - Bacharel em Direito/2012. Curso Superior de Tecnólogo de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública I (Curso de Formação de Sargentos da PMESP); Cavaleiro em Comenda outorgada pela Soberana Orden Militar y Hospitalaria de Caballeros y Damas Nobles de Andalucía del Infante  Don Fernando y Santa Eufemia.

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