Logo Portal Ternura
07/08 - IBITINGA-SP
° °
Jótha Marthyns

Jótha Marthyns


Covid-19: de mãos dadas com a maldição de Cronos


O que a humanidade mais procura entender no momento é: como será o mundo depois que a pandemia passar? Como seria o mundo no futuro depois de um desastre apocalíptico em forma de vírus matar uma grande porcentagem da população? Será que tamanho desastre foi acidental? O que viria em seguida?

Quais as propostas para manter a sanidade em um planeta que nos deixa desequilibrados? Confrades e confreiras. Confessemo-nos. Está difícil passar por este momento global nunca dantes imaginado. Novos ventos, impondo adequações na realidade do distanciamento social, abrupta alteração nas relações humanas.

Tantas notícias tristes, apreensão, medo, aqui, ali e acolá. Eu cá no centro da cidade de Monte Alto, Região Metropolitana de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, junto da sócia de 45 anos, Clarice, aqui na redação  do  Jornal A Tribuna, (anexo a residência) diariamente frente ao meu velho PC acostumei-me a atenuar este período teclando textos. Assim para o geral, assim não é questão de “se” amanhã estará melhor, e sim de “até quando”.

Desde que a pandemia começou acho que profissionalmente acabamos nos fechando ainda mais em nossos mundos e empresas, muitas vezes pela sobrevivência, outras pela necessidade de obedecer ao isolamento social.

Seguimos em regime de quarentena e distanciamento social há mais de 120 dias e não sabemos exatamente como e quando sairemos, mesmo porque a experiência tem demonstrado que alguns ensaios nesse sentido por todos os cantos desta Terra de Vera Cruz, resultaram frustrados, com o imediato retorno às regras mais rígidas, graças aos descuidos de inconsequentes pessoas tipo “nóias”.

Aqui eu e milhares de articulistas já fizemos vários parágrafos e linhas enchendo páginas e falastrões berraram frente a microfones e câmeras, implorando “fique em casa”, ‘use mascara”, pois certo é que quando tudo acabar nada será como antes.

Desde cedo aprendemos que o tempo tem três dimensões: passado, presente e futuro. Representam, por assim dizer, a fisiologia, a arqueologia de disfunção de dimensões do tempo. (Pô galera, viajei sem  os “sais do senador”.)

Não sei se isso ocorre, talvez sim, com outras pessoas, mas a sensação é a de que o tempo não passa, como se ele tivesse sido congelado num presente que se prolonga indefinidamente.

Em síntese: a sensação é de que, ao mesmo tempo, nossa passagem em direção ao passado e ao futuro foi bloqueada; não temos  acesso  às nossas memórias e estamos proibidos de fazer qualquer projeto.

Pausa rápida. HQ. Santas reflexões! Santos entendimentos! Exclama ao protetor Batman, o menino prodígio na BatCaverna.

Vamos ao tudo a ver ou nem tudo que parece é. Cronos, o deus do tempo da mitologia grega, cuja história é a negação do tempo, aqui se contextualiza. Se o céu e a terra hoje são separados, isso se deve a Cronos, que era filho de Urano, o deus que personificava o céu, e de Gaia, a deusa que personificava a terra.

Os seres mitológicos viviam constantemente enlaçados numa diuturna surubada, em abraço eterno, até que Gaia, cansada do ‘abuso de dar’ ao Urano, armou Cronos, 12º filho, o mais novo, com um machado que decepou os testículos do pai, acabando com aquela diária e invejável surubada.

Não se excitem, não é enredo de vídeo pornô de quinta categoria do Youtube. Repetindo, trata-se pois da história da negação do tempo. Ao decepar os órgãos genitais do pai, deixando-o “eunuco”, Cronos bloqueia  a passagem em direção ao passado, assim como em relação ao futuro, ao engolir os próprios filhos temendo a sucessão do trono. Mais detalhes desse episódio da mitologia, há vastíssima literatura sobre o tema.

E dai? A regra está clara com algo parecido com o que estamos vivendo; fenômeno pelo qual as sociedades organizadas estão passando agora em todo o mundo, sobretudo em países tardios como o Brasil, que se ressente da ausência de uma direção na condução e no enfrentamento do problema.

Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, perdemo-nos em discussões em torno de dualidades metafísicas, a exemplo daquela que separa vida e economia, e aquela que trata a pandemia como fenômeno da natureza ou decorrente de atos do homem, cultural, portanto.

Para Matos¹ (2020) em artigo publicado no Portal do Instituto Humanista, Unisinos, em 18 abril de 2020, somente uma mudança radical na forma de nossas vidas "poderá garantir a vitória sobre a pandemia, dado que ele não é algo isolado, mas, sim, um perfeito exemplo do nível de complexidade a que chegamos. Qualquer ação que privilegie apenas um dos lados do problema, natural ou cultural, está fadada ao fracasso".

A pergunta que fazemos é a seguinte: ‘precisávamos chegar a esse estado de coisa, gastar tanta energia quando o principal problema é a pandemia, que não faz escolhas na hora de matar, embora se saiba, por razões que, muito provavelmente, até os minerais saibam, que quem mais morre são os desassistidos, os invisíveis, os mais frágeis e os mais precarizados, que sequer podem se dar ao luxo de viver em um confinamento rigoroso’?

Assim, diante desse tempo presente parado por força de atos e omissões dos homens, (Brasil entra nessa) fica aqui uma reflexão final e ela passa por saber se a pandemia que se abate sobre a humanidade e a quarentena a que estamos sujeitos, grande parte desta situação não seriam os efeitos de uma espécie de maldição de Cronos que caiu sobre todos?

Caros Watsons. Passo o bastão. Fique registrado nos anais tupiniquins para as calendas gregas. Rufem os tambores! Basta de porandubas políticas! 

FINAL. Reitero, registre-se galera: meus temas, escritos, inicio, meio e fim, não são incentivos dos “sais do senador” ou por “baforadas de pedras pretas”, agora, são sim causados tão somente pela pressão psicológica, incluindo a “secura” (nem 5 contra 1 resolve... argh!) que em todos causa repercussão moral e física de uma ou outra maneira. Entendeu?

Discípulos de Arquelau de Atenas Sócrates, Platão e Aristóteles, conclamo: “Juntos vamos derrotar o vírus unidos pela informação e responsabilidade”.

 

Referências bibliográfica: ¹MATOS, Andityas Soares de Moura Costa. A pandemia da Covid-19: entre Gaia e o Antropoceno. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/598174-a-pandemia-da-covid-19- entre-gaia-e-o-antropoceno-artigo-de-andityas-soares-de-moura-costa- matos. acesso em: 3/7/2020.

Câmara Municipal de Ibitinga

Últimas colunas

Dr. André Forato Anhê

Dr. André Forato Anhê

O homem é o coronavírus do mundo*

O homem é o coronavírus do mundo*
Alessandra Augusto

Alessandra Augusto

Combatendo a violência contra a mulher

Combatendo a violência contra a mulher
Jótha Marthyns

Jótha Marthyns

E dai? Temos medidas de proteção social?

E dai? Temos medidas de proteção social?