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Jótha Marthyns

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Em 2019, tragédias brasileiras chegam por terra, água, fogo e ar. Morre o jornalista Ricardo Boechat


Jótha Marthyns

Resta à sociedade torcer para que a sequência de desgraças em tempo tão curto seja uma triste coincidência e não uma tendência deste ano 2019. Nesta fase macabra para o país, os infortúnios chegam na forma dos quatro elementos. A terra soterrou centenas de mineiros em Brumadinho, Minas Gerais: a água de temporal afogou pelo menos sete cariocas, o fogo queimou 10 adolescentes no Ninho do Urubu. Pelo ar, transitava Boechat quando sofreu o acidente fatal.

Mais do que uma variedade de episódios nefastos, a sucessão de adversidades chama a atenção para o desmazelo dos brasileiros com a segurança coletiva e individual. O país falha na construção de grandes e pequenas obras seja pontes, viadutos, prédios ou barragens. Há gritantes falhas  na prevenção de enchentes, desabamentos, incêndios,  tragédias diárias em rodovias e no controle do transporte marítimo e aéreo.

A multiplicidade de fatos funestos torna obrigatória uma reflexão nacional sobre a falta de rigor das atividades empresariais e, também, da fiscalização do Estado em relação à segurança geral da sociedade.

As causas e consequências desses acontecimentos devem servir de parâmetro para a adoção de medidas que estanquem a maré de más notícias. Mas, não tem sido assim. Boate Kiss, Mariana, não serviram de alertas e exemplos. Continua escancarada pelo Poder Público a omissão por interesses, incompetências.

Depois de tantos desgostos, fica a sensação de que, a qualquer momento, o país pode ser sacudido por outra catástrofe, criminosa ou não.

Aos cidadãos, além de agir para evitar novas desgraças, resta a torcida para que a sequência de tristezas em tempo tão curto seja apenas uma coincidência e não o efeito de décadas de desconsideração pela vida por parte de autoridades e empresários.

Some-se a estas tantas já ocorridas, a morte do jornalista  Ricardo Eugênio Boechat, de 66 anos, âncora do Jornal da Band,  vitima  na queda de um helicóptero no Rodoanel no início da tarde desta segunda-feira, 11.

A aeronave caiu no quilômetro 7, próximo ao acesso à  Rodovia Anhanguera, na chegada a São Paulo, em cima de um caminhão. O motorista foi socorrido com ferimentos leves e prestou depoimento. Além de Boechat, o piloto, Ronaldo Quattrucci, um dos proprietários da empresa pela qual a aeronave estava registrada, também morreu na hora. A morte do jornalista comoveu de imediato   de ouvintes ao tenebroso  mundo político nacional.

No Brasil, depois das homenagens populares em reverência à Getúlio Vargas, quando da sua morte também inesperada e violenta, em 1954, pode-se acrescentar que nenhuma outra de pessoa pública se comparou à pessoa carismática  do jornalista Ricardo Boechat.

Independente do eu e eles, ser de direita e esquerda, lulistas ou anti-lulistas, bolsonaristas ou anti-bolsonaristas, o ateismo desse jornalista, nunca foi impecilho de ajudar quem quer que fosse, dando no ar o seu telefone celular pessoal, a fim de facilitar às pessoas humildes, nos pleitos justos, em face das autoridades públicas.

 Enfim, partiu Ricardo Eugênio Boechat, considerado o maior âncora da televisão brasileira, jornalista corajoso, falava muita coisa que estava na garganta do povo, dando-nos a leveza do desabafo.

O "Senna" do jornalismo brasileiro, saiu  na frente do  seu grid da largada da vida.  Um dos poucos que defendia de forma aguerrida a população desse país, a moralidade, os direitos e combatia o bom combate, sem adotar lados, sem parcialidade, e tudo isso, sempre com muito bom humor.

 Que fique o seu legado, na formação dos jornalistas mais jovens, que terão a difícil missão de contar às gerações futuras a história desta terra tupiniquim tropical, contraditória, difícil de entender, linda por natureza, que beleza.

 Descanse em paz Boechat, você já fez a sua parte e deixou exemplo de ser jornalista patriota, integro.  De agora em diante a missão do jornalismo  está  deferida aos novatos, que seguindo o seu exemplo o seja em  sua homenagem.

Triste maneira de um ateu descobrir que Deus existe! Uma perda incalculável para o jornalismo brasileiro. Eu aqui oro por sua alma.

 

* Jótha Marthyns, 74 -  Jornalista,  editor MTB n.º 232/ SP, do Jornal A Tribuna, em Monte Alto/SP., Jornal A Tribuna Web Noticias. Colunista.  Youtuber.   Radialista,  apresentador do Jornal da Tarde na Rádio Cultura  AM. Palestrante, Publisher - Bacharel   em Direito/2012. Cavaleiro em Comenda outorgada pela Soberana Orden Militar y Hospitalaria de Caballeros y Damas Nobles de Andalucía del Infante  Don Fernando y Santa Eufemia. E-mail  [email protected]

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