O LOBO E O CORDEIRO

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Um cordeiro a sede matava nas águas limpas de um regato.

Eis que se avista um lobo que por lá passava,

Em forçado jejum, que lhe diz irritado:

––“Que ousadia a tua, de turvar, em pleno dia, a água que bebo! Hei de castigar-te!

––“Majestade, permita-me um aparte” –– diz o cordeiro.

–– Vede que estou matando a sede com água jusante,

Bem uns vinte passos adiante de onde vos encontrais.

Assim para mim seria impossível cometer tão grosseiro acinte.”

–– Mas turvas mesmo assim. E ainda mais horrível, foi

Que falaste mal de mim no ano passado.” –– pontifica o lobo.

––“ Mas como poderia” –– pergunta assustado o cordeiro ––,

“se eu nem era nascido?”

–– Ah, não? Então deve ter sido teu irmão.”

–– Peço-vos perdão mais uma vez, mas deve ser engano, pois eu não tenho mano.”

–– Então, algum parente: teus tios, teus pais...

Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais:

Por isso, hei de vingar-me.”

E o leva até o recesso da mata,

Onde o esquarteja e come sem processo.

 


(A razão do mais forte é a que vence no final
––– nem sempre o Bem derrota o Mal). (La Fontaine)

 

Jean de La Fontaine - nasceu em Chateau-Thierry, na região de Champagne em 8 de março de 1621. Faleceu em 13 de abril de 1695). Poeta e fabulista francês. Autor: "A Lebre e a Tartaruga", o "Lobo e o Cordeiro", entre outras.

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