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Jótha Marthyns

Jótha Marthyns


Os Miseráveis de Victor Hugo e das esquerdas brasileiras contemporâneas

Após 167 anos quaisquer semelhanças atuais não são meras e despretensiosas coincidências daqueles fatos passados


“Tenho a convicção de que este livro será um dos pontos mais altos de minha obra, se não o mais alto de todos” – Victor Hugo

 

No livro “Os Miseráveis”, a maior obra  literária do século XIX do dramaturgo Victor Marie Hugo¹, publicado em 1852,  a obra baseia-se em histórias que predominam as desigualdades sociais e a miséria, em contraponto com o empreendedorismo e trabalho, para que sejam refletidos os impasses cruéis naquela sociedade em um mundo cheio de perversidades e grosserias.

O fio condutor é o personagem de Jean Valjean, vive uma história trágica desde sua infância. Seus pais faleceram quando ainda era criança, sendo educado pela irmã, que logo fica viúva com sete filhos para criar. Valjean busca ajudar sua irmã a sustentar a casa, principalmente para alimentar seus sobrinhos. Com tamanha pobreza, enfrentava dificuldade para o sustento da família.

Nunca conseguiu emprego ou um trabalho avulso que obtivesse renda. Amargurado pela cruel realidade, passa a roubar pão para tentar alimentar sua família. Ao roubar o pão, Valjean é flagrado, preso e condenado a cinco anos de trabalhos forçados. Diversas vezes fugiu e voltou à prisão, somando 19 anos preso.

Com o passar dos anos na sua imensa solidão, Valjean vai percebendo que quem cometeu um terrível crime não foi ele, mas a sociedade, comparando os danos que sofreu quando estava preso ao dano que causou (roubo de pão).Posto em liberdade, Jean Valjean recebe como seu documento de identificação um passaporte amarelo documento que o identifica como condenado/ex-presidiário.

Valjean caminhava pelas ruas procurando um lugar para se abrigar, se esquentar e comer. Foi em diversas pensões pedindo um quarto; mostrava dinheiro e dizia que pagaria pela estadia. Mas, quando pediam sua documentação, revelava seu passaporte amarelo e era expulso dos locais. A notícia de que havia um ex-presidiário nas redondezas repercutia em toda a cidade, e o alerta era para “tomarem cuidados”, como uma grande ameaça a todos.

Até que, por acaso, Valjean bateu na porta da casa do Bispo Myriel que, sem hesitar, o acolheu, pediu para colocar mais um prato na mesa, trocar os lençóis e ofereceu cobertores ao pobre homem. O Bispo tinha total consciência de que Jean Valjean era o famoso ex-presidiário temido da cidade.

Jean Valjean é o personagem que consolida os principais ideais do autor, pautando as temáticas de pobreza, (miséria material), seja a miséria de valores sociais e de humanidade (miséria espiritual).  em um mundo cheio de perversidades e grosserias.  

Noves fora, nada, Até aqui é a ficção do autor. Obra na época em cinco volumes,  relata o panorama socioeconômico da população. Vocês amigos e amigas, já adentraram nas similaridades desses  fatos  com os  contemporâneos, aqui em Monte Alto, no  Brasil? Com o resto do Mundo?

A quem parece ser a obra de Victor Hugo ultrapassada, acrescento que o Brasil tem seus vários  próprios Valjean: Nelson Leopoldo Filho. Quando moço, tentou roubar comida numa residência qualquer. Pego em flagrante, mesmo sem conseguir seu intento, ficou preso por 53 anos, não importa se a legislação brasileira prescreve que ninguém – nem o mais temível assassino ou estuprador – pode ficar mais de 30 anos aprisionado. Jogado num manicômio por ser considerado doente mental, hoje, 77 anos, Nelson vive em asilo, onde a liberdade lhe permite ir e vir, mas não recuperar os anos de vida perdidos. No caso de Jean Valjean, paradoxalmente, ele foi mais feliz.

Nas vertentes das ideologias esquerda direita, centro, no caso nosso  o Brasil, as moscas continuam  as mesmas em cimas das iguais excrecências  de  desigualdades sociais e misérias. Nobres dentro da obra do Victor Hugo andavam de carruagens e frequentavam suntuosas  Cortes em Palácios participando de banquetes e orgias.  Hoje  quase todos os nobres políticos andam de Ferrari e voam de jatinhos e moram em coberturas e são assíduos dos bordeis de luxo em Brasília.  

Na obra, os  miseráveis perambulavam pelos guetos fétidos  de Paris. Hoje, ano de 2019 agrupam-se em Cracolândias uma das maiores chagas da sociedade dita civilizada em centros das cidades brasileiras.  Quantas mães e pais choram “lágrimas de sangue” ao verem  seus filhos doentes, escravizados  em drogas, andarem maltrapilhos  como zumbis naqueles espaços imundos, onde  ratos se negam  a alimentar-se? As semelhanças entre a obra e as realidades, sobretudo, brasileira. É feita novamente a hora de questionamentos. Despertai! 

Meu intento inicial foi ao lembrar o ‘Os Miseráveis’, fui tomado por   pundonores  comparando o  encontro fantástico entre os miseráveis do século XIX e século XXI, onde quer que estejam, França ou Brasil, África ou Filipinas.

E por certo leitores  que aqui me acompanharam,  concluiremos  que  é  a evidência da fragilidade do ser humano ao longo dos tempos que os tornam os  ‘Miseráveis’ personagens eternizados por denunciarem situações congêneres  universais. A falta de amor e injustiça humana em forma de traições, maldades, ódios, invejas, desde antes dos antigos  Mesopotâmicos, vem séculos seguidos   corrompendo o homem e a sociedade.

Concordam? Terminando. Afinal, tudo o que fazemos, inclusive escritos em reflexões  custam tempo de vida. Continuo, até o último folego. Sou mais um pensador no universo das ideias,  não uma ilha.

Referencias: ¹ ROBB, Graham. Victor Hugo, uma biografia. São Paulo: Record, 2000

 

* Jótha Marthyns, 74 -  Jornalista,  editor MTB n.º 232/ SP, do Jornal A Tribuna, em Monte Alto/SP., Jornal A Tribuna Web Noticias. Colunista. Radialista, âncora do Jornal da Tarde na RC AM.  Youtuber.   Palestrante, Publisher - Bacharel   em Direito/2012. Cavaleiro em Comenda outorgada pela Soberana Orden Militar y Hospitalaria de Caballeros y Damas Nobles de Andalucía del Infante  Don Fernando y Santa Eufemia. E-mail  [email protected]

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