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07/08 - IBITINGA-SP
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Jótha Marthyns

Jótha Marthyns


Também morre quem atira?


Nos EUA os discursos armamentistas, fundamentalistas e de ódios racistas  seriam  encorajadores à  esse tipo de ação pelo Mundo?  E aqui no Brasil qual a influência captada pela nossa juventude ‘intolerante e extremista’? Seria a “Dark Web” a causadora?

Muitos já escreveram, comentaram e aqui me junto a essa legião de pensadores, de forma singela, sem pretender ser o dono da verdade, nem tampouco exaurir um dos temas dos grandes problemas atuais da humanidade, um radical comum, a intolerância.

É consenso: ‘Em tempos difíceis, onde prevalece uma economia mundial globalizada, acentuando as divisões de classes e o abismo entre ricos e pobres, torna-se mais difícil pregar a tolerância’.

Como o planeta Terra equipara-se a um grande balaio, a realidade de extremismos dentro dos EUA, não está isolada, esparrama-se e alcança alguns países incluindo o  Brasil.

Exemplificando. Aqui descrevo em sucinto relato, uns poucos dos muitos casos de repercussão nacional e internacionais em solo brasileiro.  Há anos que aqui no Brasil ocorrem violências dentro de escolas, culminando em graves agressões e assassinatos entre alunos e professores.  A imprensa nacional, redes sociais, nesses casos pouca divulgação difundiu.

Já testemunhamos o  chamado Massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, que terminou com o assassinato de 12 adolescentes  em 2011.

Em 5 de outubro de 2017,  em Janaúba, no Norte de Minas Gerais, oito crianças e uma professora morreram com queimaduras  após um segurança colocar fogo na  creche “Gente Inocente”.  

Manhã de 13 de março de 2019. Próximo a Capital  São Paulo, a maior cidade da América do Sul, Suzano,  foi palco de mais uma tragédia brasileira no Jardim Imperador, no interior da escola estadual Raul Brasil. Os assassinos, segundo a Polícia Militar, tinham 17 e 25 anos, chegaram  na Escola em carro alugado dias antes,  entraram na escola que fica  com portão   e portas abertas, no horário do intervalo,  dentro do saguão da Secretaria, sacaram de armas e  abriram fogo a esmo e matando estudantes, uma funcionária do colégio. Ao menos oito adolescentes, mais dois adultos, morreram no tiroteio. Deixaram baleados e agredidos a machadinha e faca, em estado grave. Os dois atiradores, suicidaram-se. (sic)

O acontecimento nas escolas  de Realengo e Suzano podem parecer casos isolados, porém não é novidade que fóruns conhecidos como “Chans” (fóruns anônimos dentro da ‘Dark web’) vêm a alguns anos conferindo espaço para discursos racistas, misóginos, homofóbicos e de teor fanático-religiosos.

Na Internet, em 15/03/2019, Marcos Vinícius Gontijo,  historiador e mestrando pela Universidade Federal de Ouro Preto escreve: “Em 2011, inclusive, o assassino do Massacre de Realengo, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, estava ligado ao “Dogolachan”, fórum no qual Luiz Henrique de Castro, de 26 anos, e Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, planejaram o ataque na escola estadual em Suzano. Jovens como Luiz e Guilherme obtêm através desses “chans” a oportunidade não só de conhecer outros jovens de mesma perspectiva, mas também de serem incentivados por homens como Marcelo Valle Silveira Mello, de 33 anos, condenado a 41 anos de prisão por diversos crimes virtuais, todos eles ligados à extrema-direita.

 Outro caso, também ligado ao Dogolachan, foi a ameaça de ataque a tiros, em 2015, à Faculdade de Filosofia e Ciência Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte.

È momento de perguntar. Qual a posição da sociedade de Monte Alto, integrada a Região Metropolitana de Ribeirão Preto  (RMRP)  para o necessário e urgente, debate público sério e constante não só sobre o ledo engano de que armas de fogo provém segurança, mas também um movimento de combate a sites de conteúdo perigoso, equivocado e, sobretudo, criminoso?

Isso deve ser inclusive, pareado com uma conscientização junto aos pais para que haja um controle sobre o acesso à internet de seus filhos. Claro que a imprensa dessas 34 cidades dentro da “Califórnia Brasileira” tem papel importante nessa mobilização de conscientização do perigo que entra nas casas por ondas virtuais.

Engrosso conclusões. As ‘tragédias’ que assistimos, não são diferentes e poderá não ser os últimos casos. A população brasileira, aqui insisto e repito  na qual Monte Alto insere-se,  deve acordar nesses temas, questionando junto das instituições governamentais assumindo posições   e tratar dos casos com devido rigor e de forma a fazer jus a seriedade dos fatos. Deve,  inclusive repensar o conteúdo do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente, sobre o  modo inconveniente que  apregoa direitos, causando impunidades. Absolutamente lacunoso. Pensou o legislador do ECA que o único problema na educação infanto-juvenil é a “violência física ou moral”.

No nosso contexto obstante a dureza do tema, reflitamos as  atitudes dos adolescentes desta Terra globalizada. Meu amigo e advogado por mais de 50 anos na cidade Santos, Augusto Henrique Rodrigues, através de comentário na imprensa da baixada santista,  de igual teor, envia no meu e-mail enfatizando:  “mais preocupados com o ter, curtir, e desfrutar, do que com o ser, pensar, meditar, refletir, dão bem a mostra de como a sociedade nacional  como um todo, encontra-se doente, e se nada for feito para deter sua decomposição, chegará logo em acelerado processo degenerativo e  terminal. Tem pais doentes e ausentes, produzem em consequência filhos desajustados, supostos heróis sem caráter, Macunaímas da vida, sem valores morais, sem caráter, facilmente cooptados para ações nada ortodoxas, cruéis, bestiais, incompreensíveis, boçais, capazes de destilar o ódio e distribui-lo a seu talante, violentos e coordenados por suas mentes podres, infectadas pelos micróbios do dia a dia inútil e obcecados pelas bobagens virtuais, que curtem em suas vidas vazias, por detrás das telinhas azuis”.

Tanto se conclui quando a escola é um complemento, mas a educação primária nasce no lar. A família brasileira está mostrando-se inútil e incompetente na criação e educação de seus filhos.

Mal refeitos do ocorrido em Suzano, em horas a mais de diferença, o mundo conectado vê a noticia de um indivíduo intolerante invadindo uma mesquita na Nova Zelândia, com câmera de vídeo acoplada a cabeça filmando ao vivo com transmissão  via Facebook como num programa de videogame,  execução com rajadas de tiros  de fuzil automático,  atingindo   homens, mulheres e crianças. Total do massacre 50 mortos e mais 87 pessoas com ferimentos alguns em estado critico. Foi preso.

Morticínios exalam cheiro de sangue em outros países no mundo. O mundo está doente. A falência da família, do amor e da solidariedade são fenômenos perceptíveis em todas as sociedades do planeta.

É preciso amar e tolerar. Se os pais assim agirem, os filhos terão o melhor respaldo para a sua formação. Tolerância e amor ao próximo são as mais eficientes armas contra os radicais, desapegados do mínimo de humanismo.

Sem esquecer, no entanto, o antídoto do algoritmo na  inteligência virtual  da canção dos ‘manos’: Hey joe, do Rappa:  Onde é que você vai Com essa arma aí na mão? ... “também morre quem atira”.

* Jótha Marthyns, 75 -  Jornalista,  editor MTB n.º 232/ SP, do Jornal A Tribuna, em Monte Alto/SP., Jornal A Tribuna Web Noticias. Colunista do Portal Ternura FM/Ibitinga-SP.  Youtuber.   Radialista,  apresentador do Jornal da Tarde na Rádio Cultura  AM. Palestrante, Publisher - Bacharel   em Direito/2012. Cavaleiro em Comenda outorgada pela Soberana Orden Militar y Hospitalaria de Caballeros y Damas Nobles de Andalucía del Infante  Don Fernando y Santa Eufemia. E-mail  [email protected]

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