Do Ceará para o mundo: conheça Lucas Rabelo, vice-campeão mundial de skate street

Depois da conquista na SLS, Lucas volta às pistas brasileiras no STU Open do Rio de Janeiro

Compartilhe:

Aos 22 anos, Lucas Rabelo chegou a um dos lugares mais desejados do mundo do skate street. O jovem de Fortaleza foi vice-campeão mundial na Super Crown de Jacksonville, nos Estados Unidos. Na última semana, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos Júnior de Cali, na Colômbia. Mas a temporada ainda não acabou para o cearense, que ainda tem o STU Open do Rio de Janeiro para encerrar o ano vitorioso.

Lucas Rabelo durante sua performance na Street League Skateboarding — Foto: Paulo Macedo

Lucas Rabelo durante sua performance na Street League Skateboarding — Foto: Paulo Macedo

O STU Open acontece dos dias 1º a 5 de dezembro na Praça Du Ó no Rio de Janeiro. Além de Lucas, grandes nomes do skate mundial, como Pâmela Rosa, Rayssa Leal e Pedro Barros, estão confirmados na competição.

Mas antes de dividir as pistas com gigantes do skate, Lucas teve que batalhar muito por seu sonho. O jovem cearense conta que, mesmo muito novo, teve que fazer sacrifícios pelo esporte. Lucas contou para o ge sua trajetória e compartilhou seus sonhos para o futuro.

De Pirambu para o mundo

O skate começou como uma brincadeira. O menino de Pirambu só queria se divertir com os amigos, mas acabou encontrando uma paixão.

- Eu comecei a andar de skate no bairro que eu morava em Fortaleza, chamado Pirambu. Eu tinha 11 anos de idade mais ou menos. Eu decidi que eu queria andar de skate, mas não por realmente gostar do skate, mas pra poder estar junto com meus amigos. E foi a partir daí que eu comecei a andar. Mas depois de um tempo, que eu comecei a andar, eu vi o quão divertido era andar de skate. E eu decidi o que eu queria isso pra mim .

O começo não foi fácil. Lucas teve que lutar para transformar a brincadeira de rua em algo mais profissional. O primeiro patrocínio veio de uma loja em Fortaleza, que abriu as portas para o jovem.

- Quando fui andar de skate na loja do meu patrocinador, ele confiou que eu teria um futuro e começou a me dar dicas para eu começar a evoluir, pegar a visão das coisas, de como funciona no skate. Ele tinha amigos profissionais que andavam de skate há muito tempo, e um deles era o Cezar Gordo da Matriz Skate Shop. E ele falou que eu tinha que ir para São Paulo conhecer o Gordo, conhecer um pouco mais de skate.

O encontro com o dono da tradicional skate shop mudou a vida de Lucas. O pequeno, de apenas 13 anos à época, entendeu que poderia ter um futuro longe de casa, mas a trajetória não foi simples.

- Eu conheci o Gordo em São Paulo, e ele falou que eu tinha que ir para Porto Alegre. Eu cheguei em Porto Alegre, não gostei. Era para eu ter ficado três meses, fiquei uma semana e falei que não aguentava. Eu estava com saudade da minha avó, sempre fui muito apegado a ela. Mas o motivo real não era só por conta da minha avó, era porque eu não estava me sentindo bem. Porque querendo ou não eu era muito novo. Sair de casa, largar a família, o estilo de vida que você é acostumado a viver. Então eu não gostei e voltei para Fortaleza.

Lucas Rabelo foi para Porto Alegre tentar seu sonho  — Foto: Reprodução/ Instagram

Lucas Rabelo foi para Porto Alegre tentar seu sonho — Foto: Reprodução/ Instagram

O que Lucas não esperava era que o destino dele estava mesmo no Rio Grande do Sul. Foi uma proposta, um tanto quanto inusitada, de seu atual agente Rafael Xavier, que o fez retornar para o sul do país.

- Eu fiquei alguns meses em Fortaleza, continuava conversando com os meus amigos, conversando com o Gordo. E ele me falou que o Rafinha, Rafael Xavier, que hoje é meu empresário, estava entrando para cuidar dos atletas da Matriz. O Rafael quis me conhecer pessoalmente, então ele foi para Fortaleza. Ele conheceu a minha família pessoalmente e perguntou o que eu achava de voltar para Porto Alegre. Ele falou que eu poderia ficar na casa dele, com a família dele. E eu falei que eu toparia pra ver como eu ia me sentir.

Fui morar em Porto Alegre para poder viver do sonho, que eu não sabia onde poderia chegar.

— Lucas Rabelo

Mas a família do menino não gostou tanto da ideia. Depois da primeira experiência fora de casa, a mãe de Lucas ficou preocupada com o filho. Tudo se resolveu com a determinação de Lucas, e a promessa de visitas frequentes à família.

- Quando o Rafinha tava na sala com a gente conversando e perguntou o que a minha família achava de eu ir para Porto Alegre de novo, a minha família falou: "De jeito nenhum, o Lucas não vai sair de casa". Ai eu chamei a mãe no canto e falei: "É meu sonho, é o que eu quero". E eu sou muito grato à minha família, por ter me deixado sair de casa, por terem acreditado em mim.

Eu saí de Fortaleza, do Ceará, que é um lugar que felizmente tem muitos talentos, mas infelizmente não tem muitas oportunidades.

— Lucas Rabelo

Dessa vez a adaptação a ficar longe de casa foi bem mais fácil. Lucas acredita que o fato de encontrar mais uma família disposta a abraçar seu sonho foi fundamental.

- Depois de um ano vivendo em Porto Alegre eu já estava me sentindo muito bem lá. Eu já estava me sentindo muito bem com a família. O Rafinha virou um pai, a Cris, esposa dele, uma mãe, a Rafaela, uma irmã. E eu me sinto muito abençoado por isso, por poder dizer que eu tenho duas famílias.

A certeza que o skate seria parte de seu futuro chegou quando Lucas começou a ganhar campeonatos de skate fora do Nordeste. O jovem decidiu então apostar e levar a sério.

- Eu sempre achei que eu estava no caminho certo. Eu estava muito confiante em quem eu tinha perto de mim, e vi que estava ficando sério. E mais sério que isso eu não sabia o que poderia acontecer. Então foi aí que eu decidi que eu iria focar mais. Quando comecei a ganhar campeonatos, viajar bastante, ganhar patrocinadores, foi aí que vi que estava ficando sério e era o que eu queria para a minha vida.

Lucas Rabelo é campeão do STU QS Street, de skate — Foto: Júlio Tio Verde

Lucas Rabelo é campeão do STU QS Street, de skate — Foto: Júlio Tio Verde

Depois de ganhar um nome no cenário amador nacional, Lucas decidiu se aventurar no cenário mundial. O primeiro campeonato internacional foi o Tampa Amador nos Estados Unidos.

- Foi uma loucura, para mim foi tudo um choque. Mas foi bom demais poder ter ido para os Estados Unidos pela primeira vez para competir, porque eu pude abrir a minha cabeça. Quando você tá acostumado a viver no Brasil, você tá acostumado a ver o mesmo estilo de pessoas, de manobras, de campeonatos. Quando você vai para outros lugares, você vê que não era só aquilo, tem outras coisas acontecendo.

A trajetória no Mundial de Skate Street

Aos poucos Lucas foi caminhando para a profissionalização. No ano de 2021 o skatista teve a chance de participar do Mundial de Skate Street, a SLS, pela primeira vez. Competindo ao lado de ídolos como Luan Oliveira e Paul Rodrigues, a trajetória de Lucas foi evoluindo aos poucos.

Street Leagle sempre foi um sonho para mim. Eu lembro que eu assistia na TV imaginando: 'Nossa, é meu sonho estar lá um dia'.

— Lucas Rabelo

Em Salt Lake City, primeira etapa do mundial, Lucas ficou na 14ª posição. Foram poucos pontos que separaram o brasileiro de sua primeira decisão de SLS, já que oito skatistas se classificam para a final.

- Poder estar lá na primeira etapa em Salt Lake City, a primeira coisa que eu senti foi: "Nossa, eu tô vivendo o meu sonho e eu quero aproveitar o máximo possível". Mas, obviamente, tem pressão. Querendo ou não é uma competição diferente, é um outro formato do que a gente está acostumado. Em Salt Lake City eu estava nervoso, feliz, mas muito nervoso.

Já na segunda etapa, em Lake Havasu, Lucas já foi mais tranquilo e o resultado correspondeu: 6º lugar. Chegou a sua primeira final, e sentiu que poderia entregar mais.

- Em Lake Havasu eu já me senti mais à vontade. Eu me sentia realizado por estar vivendo o meu sonho, dividindo as pistas com os meus ídolos. E eu decidi que eu queria muito chegar na final. A pista não me favorecia tanto, porque eu sou uma pessoa que gosto muito de corrimão. Mas eu estava tão no foco, queria tanto realizar o meu sonho de chegar na final. E quando eu cheguei na grande final teve um nervosismo a mais.

Mas o grande momento da temporada de Lucas Rabelo foi o Super Crown da SLS. O jovem arriscou tudo e conseguiu se classificar após uma etapa classificatória dificílima. Lucas foi para mais uma final e disputou o primeiro lugar com o americano Jagger Eaton até o fim.

- E quando chegou a última etapa do Campeonato Mundial, que foi o Super Crown, eu vi que tinha corrimão para tudo que era lado, e eu vi que aquilo me favorecia. E eu falei: "Ok. Salt Lake City eu quase fui para a final. Lake Havasu eu fui até a grande final. Agora meu foco é top 3. E eu quero muito". Eu estava me sentindo preparado para isso.

O 2º lugar no pódio significou muito para o brasileiros. Lucas conta que não foi só ele que estava ali recebendo o troféu.

- Quando eu peguei o troféu, eu lembro exatamente que passou um filme na minha cabeça. Quando me deram o troféu e eu olhei assim "2º lugar da Street League", eu comecei a rir. Nossa, eu saí lá do Pirambu, de Fortaleza, e eu estava lá. Representando a minha pessoa, os meus amigos que têm vontade de estar lá. Eu fiz isso por mim, por todos que tinham o sonho de estar lá e pelas minhas famílias que acompanharam toda a minha trajetória. Foi um sonho demais, algo que eu nunca mais vou esquecer. E isso só me motivou mais. Foi uma felicidade absurda.

Eu botei o troféu do meu lado na cama e pensei: 'Quero poder ver que isso não é um sonho, que eu conquistei'

— Lucas Rabelo

O atleta também conta que a torcida brasileira deu uma força e tanto na competição. Lucas ficou emocionado ao saber que as pessoas tinham viajado até Jacksonville para ver os compatriotas andarem de skate.

- Quando eu fiquei em segundo em Jacksonville, tinham muitos brasileiros. E alguns deles chegaram para mim e falaram: "Lucas, a gente veio do Brasil só para assistir o Street League e ver vocês andando de skate". E isso pra mim foi algo que já me fez ganhar meu dia, sabe? Saber que as pessoas que saíram da sua casa, do seu conforto para irem lá torcer por nós. Isso é algo que me deixa muito feliz, saber que tem torcida não só do Brasil, mas de todos os lugares do mundo.

O sonho olímpico

Lucas conta que sentiu que houve uma transformação no mundo do skate depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio. O skatista acha que a forma com que as pessoas enxergam o esporte mudou muito.

- O skate sempre foi olhado estranho, as pessoas não entendiam o que acontecia. E depois das Olimpíadas parece que abriu muito a mente das pessoas, que começaram a respeitar mais, começaram a admirar mais. Depois das Olimpíadas as pessoas conseguiram enxergar uma parte do que o skate é. Com certeza abriu portas, atraiu mídias, olhares, patrocinadores... É gratificante demais ver que as portas estão se abrindo e estamos sendo olhados com outros olhares.

Eu quero, sem dúvida alguma, poder estar nas Olimpíadas de 2024 em Paris"

— Lucas Rabelo

E Lucas tem como meta ir para os próximos Jogos Olímpicos. Ao ver os amigos competindo e se divertindo nas Olimpíadas, um novo sonho surgiu na vida do jovem.

- É muito louco porque eu não sabia o quão grande eram as Olimpíadas. O skate sempre foi mais um estilo de vida, sempre foi mais livre. Eu particularmente não tinha a proporção do que eram os Jogos Olímpicos. E depois que eu assisti aquilo eu fiquei fissurado, eu queria estar lá. Então quando eu vi os meus amigos andando de skate, foi quando eu falei: "Nossa, é meu sonho". Isso virou o meu sonho.

O brasileiro entende que não representa só o seu país, mas representa também o Ceará e o Nordeste. O peso de ser esse representante de sua terra é algo que enche Lucas de orgulho

- Representar o Brasil, o Nordeste, Fortaleza, é muito gratificante para mim. Porque o Brasil tem muitos talentos, o Brasil tem muitas pessoas que andam muito. E eu quero mostrar que se eu consegui, saindo de onde eu saí, passando pelas coisas que eu passei, você consegue. (...) Eu tenho muito orgulho de ter vindo do Nordeste e nenhuma palavra que eu usar vai poder demonstrar o quão grato e orgulhoso eu sou de poder representar o Nordeste, o Brasil, o Rio Grande do Sul, que querendo ou não faz parte da minha vida também.

A volta ao Brasil

Lucas Rabelo em ação na semi do STU Open de skate — Foto: Julio Detefon

Lucas Rabelo em ação na semi do STU Open de skate — Foto: Julio Detefon

Lucas Rabelo volta ao Brasil pela primeira vez após sua conquista no Campeonato Mundial. O skatista, que hoje mora nos Estados Unidos, está animado para voltar para casa e competir no STU.

- Estou bem ansioso. Faz muito tempo que não vou ao Brasil. Eu amo a comida, as pessoas, o estilo de vida. E saber que eu vou estar lá, competir no STU, que é sempre um evento muito bom. Vai ser um campeonato muito importante, que eu vou me divertir muito, e que eu, com certeza, vou estar muito focado em ter o meu melhor resultado possível.

A ansiedade é também por reencontrar a torcida brasileira em terras cariocas, onde Lucas adora competir.

- É melhor ainda saber que vai ter o público lá. O Rio de Janeiro é um público muito bom. Sempre dá muita gente e é uma galera que vibra, que mostra que tá feliz, que tá curtindo o evento.

Fonte:https://ge.globo.com/skate/noticia/do-ceara-para-o-mundo-conheca-lucas-rabelo-vice-campeao-mundial-de-skate-street.ghtml

Compartilhe:

Comentários (0)

silhueta de um avatar

Escreva seu cometário...

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Mais notícias sobre Esportes

Confira os resultados da rodada do Brasileirão

Confira os resultados da rodada do Brasileirão

Confira os resultados da rodada do Brasileirão

Confira os resultados da rodada da Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e Libertadores

Confira os resultados da rodada da Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e Libertadores

Ex-campeã do UFC, Ronda Rousey ataca juiz e é suspensa do WWE

Ex-campeã do UFC, Ronda Rousey ataca juiz e é suspensa do WWE

Não pega pênalti? Weverton tem média superior à de Marcos em séries decisivas no Palmeiras

Não pega pênalti? Weverton tem média superior à de Marcos em séries decisivas no Palmeiras

Mais notícias sobre Esportes

Confira os resultados da rodada do Brasileirão

Confira os resultados da rodada do Brasileirão

Confira os resultados da rodada do Brasileirão

Confira os resultados da rodada da Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e Libertadores

Confira os resultados da rodada da Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e Libertadores

Ex-campeã do UFC, Ronda Rousey ataca juiz e é suspensa do WWE

Ex-campeã do UFC, Ronda Rousey ataca juiz e é suspensa do WWE

Não pega pênalti? Weverton tem média superior à de Marcos em séries decisivas no Palmeiras

Não pega pênalti? Weverton tem média superior à de Marcos em séries decisivas no Palmeiras

Publicidade