Hoje "no bolo", Brasil já foi gigante em Copas do Mundo de basquete e tem dois títulos mundiais

Se neste momento o basquete masculino brasileiro não briga por título, seleção brasileira é a quarta no ranking histórico do torneio da Fiba e conquistou a taça nos anos de 1959 e 1963

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O Brasil não aparece em nenhuma lista de favoritos para a conquista da Copa do Mundo de basquete da China e ninguém acha um absurdo. A situação, contudo, nem sempre foi assim. Na história do torneio, a seleção brasileira tem a quarta colocação no ranking geral de resultados, ficando atrás apenas de Estados Unidos, União Soviética e Iugoslávia. Além disso, em um passado não tão recente, conquistou dois títulos da Copa do Mundo, nos anos de 1959 e 1963, além de uma prata em 1954, na derrota para os Estados Unidos no Rio de Janeiro. O último pódio do país, porém, é do distante ano de 1978, há 41 anos, quando jovens como Marcelo Vido, Oscar e Marcel (que fez uma cesta no segundo final) ainda estavam em quadra ao lado de nomes veteranos como Hélio Rubens.

"É super fácil responder porque não somos favoritos mais para o pódio. As categorias de base são muito competitivas. Técnicos ensinam a ganhar o jogo e não a jogar o jogo. O resultado é que o jogador aprende a arremessar, passar e driblar, mas não aprende a quando fazer isso. Segundo, que todos querem jogar na NBA, ser pais de jogadores da NBA, ser agentes de jogadores da NBA. Os meninos saem muito cedo do Brasil e não adquirem nossa cultura esportiva. Por fim, falta preparo aos técnicos brasileiros", garante Marcel de Souza

Marcel de Souza com sua camisa histórica da seleção brasileira — Foto: Divulgação/ASE

Marcel de Souza com sua camisa histórica da seleção brasileira — Foto: Divulgação/ASE

Marcel de Souza com sua camisa histórica da seleção brasileira

Mas, o que teria acontecido nas quatro últimas décadas para que o basquete brasileiro passasse de favorito ao pódio a mais um no bolo de seleções que podem aspirar um lugar nas quartas de final? Para se ter uma ideia, a melhor colocação brasileira de lá para cá foi o quinto lugar conquistado na Copa do Mundo de 1990, na Argentina. Na Espanha, em 2014, última disputa, o time foi até as quartas de final e terminou a classificação geral em oitavo. Para responder a essa pergunta, o GloboEsporte.com conversou com jogadores, ex-jogadores e comentaristas para entender essa dinâmica, e nos parágrafos abaixo também relembra momentos inesquecíveis do país em Copas do Mundo.

- O Brasil ainda paga uma conta caríssima por décadas de trabalho ruim da confederação no masculino e - principalmente - no feminino. Perdemos um tempo imenso sem ter um campeonato nacional bem estruturado, e o trabalho de base foi negligenciado, dependendo exclusivamente de projetos individuais dos clubes. A união dos clubes com a criação do NBB foi um grande passo, mas olhando em perspectiva, ainda é uma liga recente para criar uma geração forte na seleção adulta. Existe sorte, mas não existe mágica. Do jeito que o basquete brasileiro foi maltratado por tantos anos, é natural que hoje estejamos atrás das grandes potências. E olha que tivemos um ótimo respiro no auge da geração de Leandrinho, Varejão, Splitter, Huertas, Marcelinho, Alex & Cia, com a ajuda de Magnano. Ali jogamos de igual para igual com algumas potências. Mas o nível na Europa (sem falar nos EUA) é muito alto o tempo inteiro. Não dá para depender de espasmos, e essa consistência não se constrói da noite para o dia - disse Rodrigo Alves, comentarista do SporTV.

Seleção brasileira em 1959, no Chile — Foto: Reprodução

Seleção brasileira em 1959, no Chile

Na Espanha, em 2014, no auge da atual geração brasileira e ainda reforçado por Nenê, Splitter e Marcelinho Machado, o Brasil fez uma primeira fase impressionante. Venceu quatro de cinco jogos, passando por Sérvia e França e perdendo apenas para a Espanha. A campanha acabou nas quartas de final para a própria Sérvia, que depois foi vice-campeã. Hoje comentarista do SporTV, Marcelinho estava em quadra e diz que a oportunidade era ótima para voltar a ficar entre os quatro do mundo.

- Acho que é uma soma de fatores. A Argentina se organizou antes em termos de Liga, de padronização na formação de atletas e treinadores. Já chegamos em época de enfrentar a Argentina com todos os jogadores deles jogando na Europa e nossos jogando no Brasil. A formação do Ginóbili é toda na Europa. Não é desmerecer a formação na Argentina, mas quando você tem a base brasileira, mas puder ir na Europa para desenvolver ainda mais, teríamos uma seleção mais forte. Hoje isso acontece. Vários jogadores nossos passaram pela Europa, mas eles fizeram antes e em um número maior. Estamos correndo atrás, e o caminho é esse. Formar treinadores para a base e para o profissional. Não adianta ter uma escola de treinadores, e eles todos se voltarem para o adulto. É preciso um olhar mais atento para a base.

Oscar Schmidt é o maior cestinha da história das Copas do Mundo — Foto: Arquivo/CBB

Oscar Schmidt é o maior cestinha da história das Copas do Mundo

Para se ter uma ideia da importância brasileira na história das Copas do Mundo, o país teve o jogador mais valioso do torneio em duas oportunidades. Trata-se de Amaury Pasos, MVP dos anos de 1959 e 1963, quando o Brasil foi campeão, no Chile e no Rio de Janeiro. Apenas Brasil, Estados Unidos e Iugoslávia conseguiram esse posto por mais de uma vez. Hoje com 83 anos, Amaury segue acompanhando o basquete de perto e deu sua opinião para a falta de protagonismo do basquete brasileiro em torneios Fiba.

- Acho que é uma coincidência do surgimento de jogadores excepcionais e a aptidão de alguns deles para formar um plantel equilibrado para uma equipe. Em segundo lugar, o Togo Renan Soares, o "Kanela", que queria vencer, vencer e vencer. Esse sentimento se apossou de mim e de meus companheiros. E assim fomos por duas vezes campeões do mundo. Outras duas vezes vice-campeões. Mais duas medalhas olímpicas. Após desfeito esse grupo, o basquete mudou. A seleção se tornou a equipe de um só jogador (melhor dizendo finalizador) que posteriormente se proclamou o maior encestador de todos os tempos, com muitos deles sem registros oficiais. No entanto, a mídia até hoje o cobre de glórias que mal se aproximam às que nossa equipe conquistou - disse Amaury, numa crítica em tom velado.

Hoje com 86 anos, Amaury foi MVP de duas Copas do Mundo de basquete — Foto: Thierry Gozzer

Hoje com 86 anos, Amaury foi MVP de duas Copas do Mundo de basquete

Derrota em casa em 1954 e dois títulos seguidos

Na Copa do Mundo de 1954, no Maracanãzinho, o Brasil conquistou seu primeiro pódio. Depois do quarto lugar na primeira edição do torneio, em 1950, o time foi prata perdendo a decisão para os Estados Unidos. O revés foi uma ducha de água fria e marcou uma geração. Estes mesmos jogadores, porém, conseguiram se recuperar e quatro anos depois levaram o Brasil ao pódio com o título em 1959, no Chile, em campeonato em que a União Soviética, principal rival, acabou perdendo seus pontos por se recusar a jogar contra Taiwan por questões políticas. Quatro anos mais tarde, em 1963, novamente no Rio de Janeiro, o Brasil foi à forra, sendo campeão em casa, de novo no Rio de Janeiro, agora sobre a Iugoslávia.

Histórico do Brasil em Mundiais

SEDE/ANO CAMPANHA DO BRASIL CAMPEÃO
Argentina 1950 4º lugar Argentina
Brasil 1954 2º lugar Estados Unidos
Chile 1959 CAMPEÃO Brasil
Brasil 1963 CAMPEÃO Brasil
Uruguai 1967 3º lugar União Soviética
Iugoslávia 1970 2º lugar Iugoslávia
Porto Rico 1974 6º lugar União Soviética
Filipinas 1978 3º lugar Iugoslávia
Colômbia 1982 8º lugar União Soviética
Espanha 1986 4º lugar EUA
Argentina 1990 5º lugar Iugoslávia
Canadá 1994 11º lugar EUA
Grécia 1998 10º lugar Iugoslávia
Estados Unidos 2002 8º lugar Iugoslávia
Japão 2006 17º lugar Espanha
Turquia 2010 9º lugar EUA
Espanha 2014 8º lugar EUA

Além dos dois títulos, o Brasil ainda tem dois segundos lugares, em 1954 e 1970, além de dois terceiros lugares, em 1967 e 1978. Com seis pódios, o país perde para a União Soviética, que tem oito, a Iugoslávia, que tem 10 e os Estados Unidos, campeões com 12 pódios, sendo cinco títulos (empatado com a Iugoslávia nesse critério).

Além das marcas coletivas, individualmente o Brasil também tem um histórico dos mais importantes em Copas do Mundo. Oscar Schmidt é o cestinha de todas as edições do torneio com 843 pontos em quatro disputas entre 1978 e 1990. E Marcel de Souza e Ubiratan disputaram cinco Copas do Mundo cada um. Neste quesito eles serão igualados por Anderson Varejão, Alex Garcia e Leandrinho, que também chegam ao quinto torneio na China, agora em 2019.

Fonte: https://globoesporte.globo.com/basquete/noticia/hoje-no-bolo-brasil-ja-foi-gigante-em-copas-do-mundo-de-basquete-e-tem-dois-titulos-mundiais.ghtml

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