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19/01 - IBITINGA-SP
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Caso Mariana: Justiça fará 2ª audiência para analisar exames de DNA de acusado de matar universitária

Primeira audiência do caso foi realizada em Bariri (SP) na quarta-feira (11) e foi colhida apenas a prova oral com depoimentos de testemunhas de acusação. Universitária foi encontrada morta no dia 25 de setembro.


A Justiça irá fazer uma segunda audiência do crime contra a universitária Mariana Bazza, de 19 anos, encontrada morta em Bariri (SP) no último dia 25 de setembro para avaliar exames de DNA do acusado.

Esses exames fazem parte das provas materiais da investigação e ainda não tiveram os resultados divulgados. Essa segunda audiência ainda não tem data para acontecer e depende desses laudos.

A primeira audiência de instrução foi realizada na quarta-feira (11) no prédio da 2ª Vara da Comarca de Bariri.

A audiência seria realizada no Fórum da cidade, mas um problema no fornecimento de energia fez com que o procedimento, marcado para às 10h, fosse transferido de local e começasse com 1h30 de atraso.

 

‘Só espero justiça’

 

A mãe de Mariana, Marlene Forti Bazza foi até o Fórum com outros parentes, mas eles tiveram que ficar do lado de fora. Somente as testemunhas arroladas pela Justiça puderam participar da audiência.

Apesar de não poder acompanhar a audiência, ela ficou o tempo todo do lado de fora do prédio da 2ª Vara.

"Eu só espero justiça. Eu sei que a Justiça dos homens é falha, mas eu espero isso, que ele fique preso. Os dias tem sido muito pesados, desde a hora que eu acordo até a horta de dormir, quando eu consigo dormir", desabafa a mãe.

 

Audiência

 

Na primeira audiência audiência somente as testemunhas de acusação foram ouvidas nessa primeira etapa do julgamento.

Somente o pai de Mariana foi autorizado a participar da audiência porque ele foi arrolado como testemunha por ter conversado com a filha minutos antes do crime. Ele passou mal durante a audiência e precisou ser atendido por uma profissional de saúde.

Além dele, também foi ouvida a amiga de Mariana, Heloisa Passarelli, que esteve com a vítima no dia do crime e presenciou a abordagem do acusado.

Mãe de Mariana Bazza e parentes tiveram que ficar do lado de fora do Fórum de Bariri  — Foto: Vanessa Aguiar / TV TEM
Mãe de Mariana Bazza e parentes tiveram que ficar do lado de fora do Fórum de Bariri — Foto: Vanessa Aguiar / TV TEM

 

Segundo a promotora Gabriela Silva Gonçalves Salvador, responsável pela acusação, neste primeiro movimento processual a Justiça só colheu a prova oral. Ainda faltam laudos que fazem parte do inquérito policial, como o resultado do exame de DNA que pode comprovar a autoria no crime de estupro.

Além do pai e da amiga da vítima, também foram ouvidos os policiais civis e militares envolvidos no caso, o dono da chácara onde o réu trabalhava quando abordou Mariana e um casal vizinho da propriedade.

Rodrigo Pereira Alves, de 37 anos, acusado de ser o autor dos crimes de latrocínio, estupro e ocultação de cadáver chegou ao Fórum de Bariri com 25 minutos de atraso em uma ambulância. Houve revolta de parentes da vítima na chegada do réu.

Segundo os policiais que faziam acompanhamento, o sistema penitenciário optou por esse transporte porque era único disponível, já que não seria possível utilizar o caminhão para o transporte de um único preso.

Ele deixou a penitenciária de Serra Azul, onde está preso após ser ter sido transferido da penitenciária de Iaras no dia 15 de novembro, para participar da audiência. Ele não foi ouvido nessa primeira audiência e somente acompanhou os depoimentos.

O advogado Evandro Demétrio foi designado por sorteio para ser o defensor do acusado. O sorteio faz parte de um convênio entre a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O caso segue em segredo de Justiça e detalhes sobre os depoimentos colhidos nesta quarta-feira não foram divulgados. Na saída da audiência, houve confusão, alguns familiares da vítima tentaram impedir a saída do réu e a Polícia Militar precisou intervir.

Mariana Bazza, de 19 anos, foi encontrada morta após desaparecer em Bariri — Foto: Facebook/Reprodução
Mariana Bazza, de 19 anos, foi encontrada morta após desaparecer em Bariri — Foto: Facebook/Reprodução

 

Mariana desapareceu ao sair da academia onde frequentava, em Bariri, no dia 24 de setembro, ao receber ajuda de Rodrigo Pereira Alves para trocar o pneu do carro. Ela foi encontrada morta um dia depois em uma área de canavial em Ibitinga (SP).

Rodrigo foi preso em Itápolis (SP) e foi denunciado pelo Ministério Público por estupro, latrocínio e ocultação de cadáver. A denúncia foi aceita pela Justiça no dia 10 de outubro.

Réu chegou de ambulância ao Fórum de Bariri  — Foto: Vanessa Aguiar / TV TEM
Réu chegou de ambulância ao Fórum de Bariri — Foto: Vanessa Aguiar / TV TEM

 

Denúncia

 

De acordo com a denúncia do MP, Rodrigo roubou o carro, a carteira da vítima com documentos pessoais, R$ 110 em dinheiro, o celular dela e uma caixa de som. Ele também foi acusado de estupro e ocultação de cadáver, por isso pode ter a pena aumentada durante o processo.

Ainda de acordo com a denúncia, Rodrigo saiu da chácara para calibrar o pneu com o corpo de Mariana dentro do carro. O laudo necroscópico do IML de Araraquara apontou que a vítima foi estuprada e morta na chácara onde o acusado trabalhava como pintor.

Corpo foi encontrado em uma área de canavial na região de Ibitinga — Foto: Polícia Civil / Divulgação
Corpo foi encontrado em uma área de canavial na região de Ibitinga — Foto: Polícia Civil / Divulgação

 

Ainda de acordo com o MP, Rodrigo é multirreincidente, pois já cumpriu pena de 16 anos por roubo, sequestro, extorsão e latrocínio tentado, e havia saído da cadeia cerca de 30 dias antes do crime.

Ele está preso desde o dia 25 de setembro. Inicialmente ele foi levado para o CDP de Bauru, mas no dia 26 de setembro foi transferido para a Penitenciária de Iaras.

Acusado de matar Mariana está preso desde o dia do crime  — Foto: TV TEM/Reprodução
Acusado de matar Mariana está preso desde o dia do crime — Foto: TV TEM/Reprodução

 

Crime premeditado

 

Uma câmera de segurança da academia que Mariana frequentava registrou quando Rodrigo se aproxima do carro da vítima e fica encostado nele durante alguns minutos.

Nesse momento, segundo a polícia e o MP, Rodrigo murchou o pneu do carro para, depois, oferecer ajuda.

Cerca de meia hora depois, quando a jovem sai da academia e encontra o pneu vazio, Rodrigo, que estava do outro lado da avenida, começa a gritar para alertar sobre o problema - apesar dele não ter visão nenhuma do pneu vazio, o que comprova a teoria de que ele premeditou o crime.

Segundo o relato da amiga da vítima, Heloísa Passarello, Rodrigo atravessou a avenida falando sobre o problema e insistindo para que ela aceitasse ajuda.

Nas imagens dá para ver os dois conversando quando Rodrigo atravessa a avenida e entra em uma chácara, onde ele trabalhava como pintor.

Logo após a amiga deixar o local, Rodrigo volta e conversa mais um pouco com Mariana, até que ela entra no carro, dá volta na avenida e entra na chácara.

Imagem mostra suspeito abordando Mariana Bazza e amiga dela na frente de academia — Foto: Reprodução/TV Globo
Imagem mostra suspeito abordando Mariana Bazza e amiga dela na frente de academia — Foto: Reprodução/TV Globo

 

No imóvel, o suspeito trocou o pneu do carro de Mariana. A jovem chegou a fazer uma foto dele trocando o pneu e mandou para parentes.

Após a ajuda, o carro de Mariana aparece no vídeo deixando a chácara. A polícia diz que Rodrigo estava na direção do veículo.

Mariana enviou a foto do suspeito trocando o pneu do carro em Bariri  — Foto: TV TEM / Reprodução
Mariana enviou a foto do suspeito trocando o pneu do carro em Bariri — Foto: TV TEM / Reprodução

 

Além da foto, Mariana chegou a mandar mensagens ao namorado. 

Nas mensagens pelo WhatsApp, é possível ver que a universitária avisa sobre o pneu furado, os procedimentos que estavam sendo feitos e que recebia ajuda do suspeito. Mariana e o namorado mantiveram contato até 8h36. Uma das últimas mensagens da jovem foi "terça-feira pesada".

 

Homenagem da mãe

 

Após um mês da morte de Mariana Bazza, a mãe da universitária, Marlene Bazza, postou no dia 24 de outubro um desabafo nas redes sociais sobre o quanto ainda era difícil a dor da perda e da saudade.

"Como poderíamos esperar que tudo isso fosse acontecer minha filha. Hoje faz um mês da sua partida e estou aqui tentando juntar os cacos. Meu coração sangra de tanta saudade de você. Tudo que planejamos foi tirado de um modo que não gosto nem de lembrar ", afirma.

Mãe de Mariana Bazza fez desabafo na internet sobre morte da filha um mês após o encontro do corpo — Foto: Reprodução/Facebook
Mãe de Mariana Bazza fez desabafo na internet sobre morte da filha um mês após o encontro do corpo — Foto: Reprodução/Facebook

 

Muitos amigos também prestaram homenagens para a jovem nesta quinta-feira e lamentaram o assassinato.

 

Fonte: G1


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