Pesquisadores da UFSCar desenvolvem equipamento para detecção precoce de Parkinson

Tecnologia consegue determinar se há disfunção em dois biomarcadores que estão relacionados com a doença.

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Foto: Reprodução/UFSCAR
 

Pesquisadores do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um equipamento capaz de detectar precocemente a doença de Parkinson, por meio da análise de dois biomarcadores do organismo.

A doença degenerativa atinge áreas específicas do cérebro e se caracteriza por tremores dos músculos em repouso, aumento no tônus muscular, instabilidade de movimentos e dificuldade de equilíbrio.

De acordo com dados de 2018 da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1% da população mundial acima de 65 anos convivia com Parkinson. No Brasil, a estimativa é de que mais de 200 mil pessoas sejam acometidas pelo mal.

Pensando em como detectar os estágios iniciais da doença, o grupo de pesquisadores apostou na potencialidade dos marcadores biológicos e desenvolveu eletrodos flexíveis de platina para determinar dois deles - a dopamina e a proteína DJ1 - que estão diretamente relacionadas ao Parkinson.

O objetivo é facilitar o diagnóstico. Atualmente, não há cura para o Parkinson, mas, se descoberto precocemente, o mal pode ser tratado de maneira eficaz, retardando a evolução dos sintomas, mas atualmente, não há exames neurológicos e tomografias computadorizadas que demonstrem as alterações físicas causadas pela doença.

 

Inovação

A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores da UFSCar realiza uma análise eletroquímica por meio da utilização da dopamina de uma amostra, inserindo-a no eletrodo e determinando se há a disfunção dos biomarcadores, o que determina se o paciente tem ou não a predisposição de desenvolver o Parkinson.

A análise é possível porque a proteína DJ1 atua no bloqueio da sinapse - local de contato entre neurônios, onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula para outra - e sua disfunção faz com que a estrutura física do paciente comece a tremer.

As etapas foram realizadas em escala laboratorial. Há ainda a necessidade de realizar os testes clínicos com amostras de pacientes com a doença, o que deve ser feito por meio de parcerias com hospitais e indústrias farmacêuticas ou médicas.

 

Relevância

 

A pesquisa durou um ano desde os testes preliminares em amostras sintéticas. Segundo os pesquisadores, a tecnologia se diferencia pela portabilidade, agilidade e sustentabilidade. Os resultados foram publicados na revista internacional Biosensors and Bioelectronics.

"É um equipamento novo que pode ser levado e utilizado em qualquer hospital e laboratório de análises, levando cerca de 5 horas para oferecer o diagnóstico. Além disso, por se tratar de um filme de platina flexível, o sistema pode ser facilmente descartado", explicou o pesquisador da UFSCar, Bruno Campos Janegitz.

 

 

Outras doenças

Segundo Janegitz, no momento o grupo atua em um trabalho financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a Covid-19, propondo que estes mesmos sensores de platina flexíveis podem ser utilizados para a detecção do vírus.

"A tecnologia é tão abrangente que poderá ser testada para detecção de vírus, fungos e bactérias para verificar a ligação do anticorpo relacionado a determinada doença no eletrodo, ou seja, podemos estender o procedimento da patente para qualquer patógeno", finalizou o pesquisador.

Além de Janegitz, o grupo de pesquisadores foi composto por Gabriela Carolina Mauruto de Oliveira e Jeferson Henrique de Souza Carvalho, da UFSCar, em uma parceria com Laís Canniatti Braazaca, da Universidade de São Paulo (USP), e Nirton Cristi Silva Vieira da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

 

Fonte: G1

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